Para exaltar a glória da bondade,
Não digas, alma irmã, que nada tens.
De gota a gota, o mar se consolida
E, migalha em migalha, a grandeza da vida
É um mar excelso de infinitos bens.

Caridade recorda a natureza
Que na bênção de Deus se concebe e aglutina,
Revelando no todo,
Da cúpula do Céu às entranhas do lodo,
Que a presença do amor é sempre luz divina.

A bolsa generosa em socorro fraterno
Lembra o Sol a servir, tanto quanto fulgura,
Mas o vintém doado em auxílio a quem chora
É o copo de água pura à sede que devora,
A solidariedade em forma de ternura.

A fortuna em, serviço é a usina poderosa
Da civilização na força que lhe empresta,
Garantindo o progresso, a cultura e a beleza,
Mas da espiga singela é que o pão vem à mesa
E da semente humilde é que nasce a floresta.

O prato, o cobertor, a roupa restaurada,
Um traço de carinho em amparo de alguém,
Pode ser, alma irmã, o complemento justo,
Para que se nos faça o regresso sem custo
Ao campo de trabalho e a integração no bem.

Nunca fales “não tenho” e nem digas “não posso”,
Traze ao louvor de bem o braço amigo e irmão,
Um sorriso a quem passa ao vento e ao desalinho,
Uma flor de esperança às pedras do caminho,
Que a caridade, em tudo, é sempre coração.

Livro: Antologia da espiritualidade
Espírito Maria Dolores – psicografia Francisco Cândido Xavier