Auta de Souza nasceu em 12 de setembro de 1876, em Macaíba, no Estado do Rio Grande do Norte. Filha de Elói Castriciano de Souza e Henriqueta Leopoldina Rodrigues de Souza, ficou órfã aos três anos, com a morte de sua mãe por tuberculose, e no ano seguinte perdeu também o pai, pela mesma doença. Sua mãe morreu aos 27 anos e seu pai aos 38 anos.

Auta e seus quatro irmãos foram criados pela avó materna, Dona Dindinha, em uma chácara em Recife, onde foi alfabetizada por professores particulares. Sua avó, embora analfabeta, conseguiu proporcionar boa educação aos netos.

Aos onze anos, foi matriculada no Colégio São Vicente de Paulo. Colégio católico dirigido por freiras vicentinas francesas, e onde aprendeu Francês, Inglês, Literatura, inclusive, religiosa, Música e Desenho. Lia obras originais de Victor Hugo, Lamartine, Fénelon entre outros.

Aos doze anos, vivenciou uma nova tragédia: a morte acidental de seu irmão mais novo, Irineu Leão Rodrigues de Sousa, causada pela explosão de um candeeiro.

Auta teve que deixar o colégio, em razão do diagnóstico de tuberculose, aos 14 anos, mas continuou sua formação intelectual sozinha, tornando-se autodidata. A doença, que já havia atingido seus familiares, não impediu que ela começasse a escrever e a declamar.

Começou a escrever poemas em 1893, em Macaíba. Em 1894, foi fundado na cidade o “Club do Biscoito”, associação de amigos que faziam reuniões dançantes nas residências dos associados. Auta era uma de suas frequentadoras. Nas reuniões declamava versos de seus poetas preferidos, aproveitando para improvisar alguns.

A partir dos dezoito anos, passou a colaborar com várias revistas, periódicos e jornais da época, publicando seus poemas. Sua poesia passou a circular nas rodas literárias de todo o país, despertando grande interesse. Tornou-se a poetisa norte-rio-grandense mais conhecida fora do Estado.

Por volta de 1895, Auta conheceu João Leopoldo da Silva Loureiro, Promotor Público de sua cidade natal, com quem namorou durante um ano, mas como a enfermidade progredia, seus irmãos convenceram-na a renunciar esse amor. A separação foi cruel, mas apenas para Auta. João Leopoldo não demonstrou a menor reação. Pouco depois, ele desencarnou vítima da tuberculose. Esta frustração amorosa se tornaria mais um fator marcante de sua obra, junto à religiosidade, à orfandade, à morte trágica de seu irmão e à tuberculose. A poetisa, então, encerrou seu primeiro livro de manuscritos, intitulado Dhálias, que mais tarde seria publicado sob o título de Horto.

Auta de Souza desencarnou em 7 de fevereiro de 1901, aos 24 anos, em Natal, em decorrência da tuberculose. Foi sepultada no cemitério do Alecrim, em Natal, mas em 1904 seus restos mortais foram transportados para o jazigo da família, na parede da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Macaíba.

Foi em 1932, através de Chico Xavier, que ela, pela primeira vez revelou sua identidade, transmitindo suas poesias na primeira edição do livro “Parnaso de Além Túmulo”.

Em 14 de novembro de 1936, a Academia Norte-Rio Grandense de Letras instalou a poltrona XX dedicada a Auta de Souza, em reconhecimento à sua obra.