Quando os ouvidos deixam de ouvir a ressonância dos sonhos harmoniosos do Universo e, ao contrário, se conectam aos barulhos ensurdecedores das vibrações densas, busquemos, meus caros irmãos, a reconquista do afeto. Em momentos de ensurdecimento de nada adianta falar. Um olhar atordoado jamais enxergará a beleza do desabrochar das flores. As almas adoecidas necessitam de remédio às suas aflições, e não há antídoto mais eficaz do que a demonstração do afeto.

Nas nossas tantas experiências, percebei o quão nobre se faz um gesto de afeto, de afeição. Jesus, o Mestre que tanto nos ensinou, pedia-nos que, ao sermos confrontados com atos embrutecidos que mostrássemos a outra face. E nessa fala, ele remete à quebra do ato em equívoco pela compreensão, que não revida em igual, mas resgata o ser Divino que nos habita em restauro ao Equilíbrio transformador pelo bem.

Nessa busca da reconquista do afeto, as almas abdicam do orgulho para dar lugar ao gesto restaurador dos sentimentos, capaz de arrebatar mentes doentes, levando-as à reflexão. Cabe reforçar que o restauro do afeto não implica em automutilação ou aceitação passiva do mal que nos fazem. É salutar que estejamos resguardados em integridade física e emocional, que possamos desempenhar nossa autodefesa, comum ao princípio de conservação que carregamos, que nos direciona a zelar pelo nosso instrumento de evolução. 

Que pelo nosso enorme amor e pelos exemplos do Cristo, possamos retribuir as ofensas com o antídoto que as neutraliza. Que possamos revelar a outra face do rancor através do afeto. Que consigamos oferecer a mão amiga na necessidade, mesmo quando o amargor reverberar ao derredor. Sejais o bálsamo que acalenta, o olhar que enxerga além. E no passar do tempo, vereis que o teu amor não foi em vão.

Estejam amparados pelo infinito amor de Deus, que sempre nos oferece, pelo afeto, a outra face que precisamos.

Um Espírito Amigo.

(Psicografado em 08/05/2019)